terça-feira, 22 de abril de 2014

Disputa na Eternit

Olá investidores,

Vocês leram a reportagem da revista Exame, sobre a situação atual da Eternit? Resumindo, o grupo do Luiz Barsi Filho e o grupo do Lírio Parisotto estão se "enfrentando" por causa de posições diferentes sobre o futuro da empresa. Eu, particularmente, gosto muito da ETER3 e espero que essa turbulência seja resolvida logo e acabe por não prejudicar os acionistas minoritários. A propósito, a assembleia que tentará resolver tudo isso está marcada para amanhã... Leiam a reportagem abaixo e debatam o tema comigo nos comentários:

Há pouco mais de uma década, alguns dos maiores investidores da bolsa brasileira decidiram se juntar para controlar uma empresa. Escolheram, talvez, a mais improvável entre as quase 500 companhias abertas da Bovespa na época: a Eternit.



O principal negócio da Eternit era (e ainda é) fabricar telhas de amianto — uma substância que não pode ser usada em dezenas de países porque, se manuseada sem proteção, pode causar câncer. A oportunidade para os ricaços brasileiros surgiu em 2003, quando o amianto foi proibido na França. A multinacional francesa Saint Gobain, que controlava a Eternit, decidiu abandonar tudo que envolvesse amianto e vendeu suas ações.

O investidor Guilherme Affonso Ferreira, que já era um dos grandes acionistas da Eternit, convenceu outros dos homens mais ricos da bolsa brasileira a comprar papéis da empresa, participar de seu conselho de admi­nistração e, no fim das contas, mandar na companhia.

Entraram para o grupo, entre outros, o gaúcho Lírio Parisotto, dono da fabricante de DVDs Videolar e de 2,5 bilhões de reais em ações, e Luiz Barsi, ex-corretor da Bovespa que enriqueceu aplicando na bolsa.

Com tantas empresas para investir, por que justamente a rainha do amianto? Basicamente, porque a Eternit fazia a alegria dos acionistas minoritários. Era altamente lucrativa, pouco endividada e muito generosa na distribuição de dividendos. O objetivo dos novos donos era deixar tudo como estava.

Foi uma década de muita alegria. A Eternit distribuiu anualmente em dividendos 10% do valor das ações, o triplo da média de mercado. Em 2013, 70% do lucro foi para os acionistas. Mas tudo acaba um dia — até a farra do amianto.

Discretamente, o clube do bilhão está rachando. As reuniões do conselho de administração, antes de uma calmaria total, passaram a ser tensas. Os bilionários começaram a discordar sobre a estratégia da empresa e o desempenho dos executivos. Guilherme Affonso Ferreira, vendeu suas ações em 2010, quando as divergências começaram a aparecer. E, até o fim do mês, tudo isso deve vir à tona.

Dois grupos de investidores, com posições antagônicas, estão se armando para conseguir votos suficientes para aprovar seus projetos — e vetar os dos rivais — na assembleia de acionistas marcada para 23 de abril. De um lado  estão Barsi, que tem 13,6% do capital da empresa, e a Set Investimentos, pequena gestora de São Paulo que é dona de 2% das ações.

Do outro, Parisotto, maior acionista da empresa, e o investidor carioca Victor Adler, que tem 6,7% das ações e é um dos grandes acionistas individuais do Banco do Brasil. 

O grupo de Barsi quer mudar tudo — e demitir a cúpula da empresa. Os principais problemas, em sua visão, são as despesas administrativas elevadas e os altos salários dos executivos. Enquanto o lucro da Eternit cresceu 16% desde 2008, a remuneração da diretoria em relação ao lucro quase dobrou.

“Muitos acionistas estão anestesiados pelos dividendos e não questionam o atual rumo da empresa”, diz Tiago dos Reis, sócio da Set. O valor de mercado da Eternit cresceu 180% nos últimos cinco anos, para 740 milhões de reais. 

Esses acionistas também criticam a diversificação de negócios da Eternit desde 2009. Para ter fontes de receita alternativas ao amianto, que pode ser banido em vários estados (ações sobre o assunto tramitam no Supremo Tribunal Federal), a companhia comprou a empresa de telhas de concreto Térgula.

As vendas caíram de lá para cá e, em 2013, a empresa deu prejuízo. Também construiu uma fábrica para produzir louças sanitárias no Ceará, em parceria com a fabricante colombiana Corona. Mas a inauguração, prevista para janeiro, está atrasada. Segundo alguns acionistas, os testes de produção mostraram um alto percentual de louças quebradas, superior a 50%.

Procurada, a Eternit disse, por e-mail, que a fábrica está em “testes de produção”. Para completar, uma nova unidade de pesquisa de plásticos para telhas foi construída num terreno em Manaus — o que, segundo investidores, não faz sentido pela distância do mercado consumidor e dos fornecedores de matéria-prima, que ficam no Sudeste. A Eternit afirma que o investimento foi aprovado pelo conselho.  

Diversificação

Parisotto e Adler defendem a atual gestão — que, para eles, está se preparando para o futuro ao investir em novos negócios. “O que acontece se o amianto for proibido? A empresa fecha?”, diz um investidor que concorda com a dupla. Analistas também defendem a diversificação das receitas.

“As margens da fabricação de louças são menores do que as do amianto, mas diversificar é vital”, diz Daniel Utsch, analista do banco Fator. Adler, Affonso Ferreira, Barsi e Parisotto não deram entrevista.

Ao longo dos anos, as divergências so­bre os rumos da empresa viraram rixas pessoais. Barsi, que faz questão de andar de metrô e ter um estilo de vida espartano, costuma criticar o jeitão esbanjador de Parisotto — que já serviu vinhos de alguns milhares de reais aos conselheiros numa reunião em sua casa e os levou em seu jatinho para visitar fábricas da empresa fora de São Paulo.

Para Parisotto e quem o apoia, Barsi não tem visão estratégica e está interessado apenas nos dividendos da companhia. O próximo round da disputa deverá ocorrer durante a assembleia de acionistas — quando serão definidos os novos conselheiros, a remuneração da diretoria e o valor dos dividendos a ser pagos.

Barsi e a Set estão tentando reunir votos para mudar a administração. Hoje, esse grupo tem 21% do capital da Eternit. Parisotto e Adler têm 22%. Quem convencer mais minoritários ganha.

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1063/noticias/racha-no-clube-do-bilhao

26 comentários:

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    1. De dois pesos pesados meu caro Uorrem Bife!

      Abraços.

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  2. Eu to querendo pagar mais caro pela empresa

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    1. Comprar cada vez mais caro é sempre melhor anônimo.

      Abraços.

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    2. Eu que o diga. Comprei mais CIELO e tô felizasso !

      "Preço médio pra baixo" de cú é rola !

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    3. Cielo é uma empresa que só dá alegria, rs.

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    4. Pessoal tá feliz porque CIEL subiu 20% nas últimas semanas, mas metade das ações subiram 20% nas últimas semanas, rs.

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    5. Eu to feliz pela empresa que ela é, literalmente uma MAQUININHA! A cotação subir é mera consequência.

      Abraços!

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    6. Uorrem, o gráfico histórico de CIEL dá gosto, fala a verdade ?! Coisa linda do pai !
      Então esta eu pago mais caro com gosto!
      Os Bastterianos piram !!!
      E ela esa apenas no começo. Tem tanto potencial que dá medo.
      Já dobrei posição nela. No resultado do fechamento do mês comento sobre isto.

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    7. Poney,

      Vamos torcer para ela continuar assim.

      Abraços!

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  3. Vamos ler a matéria sob a perspectiva de que o mercado também está forçando a amizade e querendo colocar os 2 um contra o outro. Que forma melhor de plantar a discórdio do que ir noticiando que existem desavenças e etc. Até pode existir, não duvido, mas não creio que a situação esteja numa quebra de braço entre os lados.
    Como já não bastasse o risco amianto precificando o ativo, a situação da nova fábrica de louça e estas últimas notícias sobre remuneração alta de executivos e pedido de demissão deles, repercutem e adicionam risco extra.
    Hipoteticamente falando, vejo que se o tal do grupo do Barsi ganhar, a cotação pode sofrer alguma influencia positiva, pq entre os minitários, Barsi é visto como defensor ferrenho, ao passo que Parissotto imagino com uma aura mais de ostentação devido a sua posição de senador. Não acho que o Parissoto tem a simpatia dos minitorários. Se o grupo dele ganhar, ou tudo fica na mesma, ou a cotação pode ter queda, devido ao mercado perceber que não haverá perspectiva boa para a empresa.
    Enfim, o maior risco que é o amianto, este pode demorar para ser resolvido. Já a cotação, poderá andar até os 10 ou 12 se o Barsi ganhar ou até os 7 ou 6 se o Parissotto ganhar. É esta leitura que faço da situação.
    Meses atrás eu tinha 1000 ações da Eternit e decidi zerar posição pois o papel não andava e com o possível julgamento do amianto que poderia acontecer o cenário era de possível condenação. Bem, o julgamento não veio, mas o papel lateralizou e não sai do lugar. Não ultrapassa a barreira dos R$ 10 nem a pau.
    Dado a situação da empresa que parece que vem ficando ruim a cada dia devido a tantos problemas, prefiro continuar de fora, embora tenha simpatia pela empresa e seus produtos. Se a situação melhorar e a cotação destravar devido a solução de algum risco, vou reconsiderar entrar no papel. Até lá é ficar acompanhando.

    Lambida do Poney !

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    1. Só tenho uma certeza. Em brigas assim os minoritários nunca ganham, só perdem. Talvez a briga gere receio e a cotação caia pra eu comprar. Gosto de promoções.

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    2. Bela análise Poney, meus parabéns! Eu acho a ETER3 uma excelente empresa, principalmente no que tange a sua governança corporativa. Concordo que o papel está andando de lado atualmente, mas não podemos esquecer da distribuição de proventos e que a tendência é que as coisas melhorem futuramente.

      Sobre o amianto, honestamente, é o que menos me preocupa. Caso o mesmo seja banido, nada muda e eu pretendo continuar sócio da Eternit. Só sairei dela caso a empresa fique ruim... E quem sabe no futuro ela dependa cada vez menos do amianto? A diversificação do portfólio dela está a todo vapor.

      Abraços!

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    3. Anônimo,

      Vamos torcer (e é o que deve acontecer) para que tudo se resolva e os dois grupos entrem em um acordo. A verdade é que tanto o Barsi quanto o Parisotto querem o bem da empresa, afinal, eles tem MUITAS ações.

      Abraços!

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  4. Pois é IL, tenho essa empresa na minha carteira mas representa apenas 2.8% da renda variável. Queria aumentar a posição, mas não tenho noção da quantidade/impactos dos riscos que essa empresa tem...

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    1. Olá Haule!

      O maior "risco" dela, digamos assim, é o amianto. Fora isso, a empresa é excepcional, muito bem administrada e com uma governança corporativa invejável. Pretendo permanecer sócio dela mesmo com um possível banimento do amianto.

      Abraços!

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    2. IL, você sabe qual o percentual que o amianto tem nos lucros da empresa? Existe algum risco da empresa ter que pagar alguma multa? Você sabe o valor. Também acho a empresa excelente!

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    3. Haule,

      Para conseguir a resposta dessa pergunta acho melhor você perguntar para o próprio RI da Eternit! Sobre o possível pagamento de alguma multa, que eu saiba, isso não existe, o que está pegando mesmo é o possível banimento do amianto no STF.

      Sim, a empresa é excepcional, e sua governança corporativa é uma das melhores (se não for a melhor) da Bolsa.

      Abraços!

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  5. acabou de sair a noticia.... !!
    http://www.infomoney.com.br/eternit/noticia/3306352/eternit-acionistas-tem-vitoria-tirar-presidente-conselho-reduzir-remuneracoes

    Para os minoritarios pareceu uma boa medida... o que você acha IL ??

    Abraço!

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    1. Forreta,

      Eu li a notícia! Realmente, as medidas tomadas parecem ser boas para os minoritários, principalmente a redução de despesas. Contudo, só vamos ver o real efeito delas nos próximos balanços. É aguardar...

      Abraços!

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  6. E aquele papo de fundamentos, IL?

    Vc já está prevendo o futuro que eles irão mudar?

    Não é pra vender só DEPOIS que os fundamentos mudarem? Por enquanto essa discussão não muda em nada os fundamentos da empresa, até onde eu saiba.

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    1. Dimarcinho,

      O papo de fundamentos continua o mesmo. Não estou tentando prever o futuro, apenas resolvi abrir a discussão sobre o tema no meu blog, visto que a Eternit é uma empresa muito bem conceituada na blogosfera e aparece na carteira de vários colegas.

      Exatamente, os fundamentos da ETER3 não mudaram ainda. Ela continua uma excelente empresa e eu pessoalmente espero que permaneça assim. Mudanças podem ser boas ou ruins, e espero que no caso da Eternit aconteça a primeira opção.

      Abraços!

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    2. Eu creio que o mais importante é tentar visualizar o caso da empresa COM a proibição do amianto.

      Sei q vc não é da linha do preço justo, mas com a proibição, a empresa já divulgou, oficialmente, que seu lucro líquido cairia em torno de 50%. Com essa premissa, entendo que o preço dela deva cair lá pros 7,70....

      []s!

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    3. Dimarcinho,

      Sim, eu sei que se o amianto for banido o lucro dela tende a cair. Entretanto, a empresa está se preparando para o pior cenário diversificando suas receitas para que elas sejam cada vez menos dependentes do minério.

      A Eternit é muito bem administrada e tem um respeito enorme pelos seus acionistas. Sendo assim, mesmo sem amianto, pretendo permanecer nela caso ela continue boa.

      Abraços!

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    4. Só um detalhe: o lucro não "tende" a cair. Ele VAI cair. E vai cair 50%, segundo a própria empresa.

      Partindo dessas premissas, é provável que os fundamentos dela hoje estejam, basicamente, dobrados.

      []s!

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  7. Verdade! Ainda assim, confio na administração da empresa mesmo sem o amianto (o que pode nunca vir a acontecer).

    Abraços!

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